Contador de histórias: há milênios usamos a voz como forma de expressão.
Contador de histórias: há milênios usamos a voz como forma de expressão.

 

Você já pensou em ser um contador de histórias?

Todos nós narramos histórias: há milênios usamos a voz como forma de expressão e troca de informações. Mas atenção! Essa característica tão presente na nossa vida não é suficiente para trabalhar profissionalmente como contador de histórias.

Seja qual for a plateia, a narração de uma história tem um objetivo bem claro: potencializar a força de um texto por meio do olhar, do tom de voz, dos movimentos corporais…

A proposta do contador de histórias não é entregar uma história pronta. Ao contrário, é fazer com que o público use a própria imaginação. Como?

Para que essa magia aconteça na cabeça de cada um, vale tudo: recursos visuais, objetos e instrumentos musicais.

Mas cuidado! Aqui vale a máxima do menos é mais: quanto menos informação na figura do contador, mais força terá a sua narração.

Você certamente já contou uma história!

Mas será que você leva jeito para ser um profissional da área?  Veremos a seguir!


Conheça 5 qualidades de um bom contador de histórias

 

Contador de histórias: gostar de lidar com pessoas é característica principal
Contador de histórias: gostar de lidar com pessoas é característica principal

 

1 – Gostar de estar com pessoas

A narração envolve basicamente três elementos: uma história, quem conta e quem ouve. A profissão perde o sentido se o contador não gosta de lidar com pessoas.

O processo começa com o profissional sendo conquistado pela trama para, em seguida, pensar: como eu posso apresentar essa história ao outro?

 

2 – Conhecer o comportamento humano

Ninguém precisa ser graduado em psicologia, mas é importante ter noções sobre como as pessoas respondem a diferentes estímulos e situações.

Nunca se sabe qual vai ser a reação de cada pessoa. Pode ser que a história mexa com alguém de forma tão profunda que ela passe a interromper a narração e, de alguma forma, atrair a atenção para si, por exemplo.

O profissional precisa ter jogo de cintura para lidar com diversos públicos em diferentes situações. Então vale a pena conhecer um pouco sobre o complexo repertório chamado ser humano.

 

 3 – Desprender-se de vaidade e estar aberto ao novo

O contador de histórias trabalha a serviço da obra literária – e, quando o ego é colocado na frente, a narração não funciona. Trabalhar a humildade também é importante.

Caso o profissional encare a narração achando que sabe tudo, parte do encanto se perde. Ao deixar o processo livre, sem imposições, o contador abre espaço para o que pode acontecer naquele instante.

Afinal, cada performance é única. Ainda que a história seja a mesma, o público, o dia, o ambiente, o clima, as emoções e as experiências nunca serão os mesmos. Prepare-se! Trabalhar nessa área é lidar com o fim das certezas.

 

4 – Ter um olhar para o mundo e estar atualizado

Para narrar, o contador precisa se esvaziar um pouco de si para se preencher do mundo. Gostar de ler, de conversar e escutar os “causos” do outro, de observar os lugares por onde passa são comportamentos que auxiliam no desenvolvimento do trabalho.

Também é importante estar sempre atento às novidades da área e fazer uma pesquisa frequente de recursos e possibilidades, avaliando o que deve ou não acompanhar a trama narrada.

Ter um repertório ampliado é essencial no dia a dia do contador. Caso aconteça um imprevisto e seja necessário um plano B, só quem tem boa bagagem consegue improvisar usando apenas o corpo e a voz.

 

5 – Respeitar o próprio perfil

O contador deve valorizar seu corpo, sua trajetória de vida, suas habilidades. Claro que dá para se inspirar em outros profissionais e é sempre bom buscar o aprimoramento, mas sempre respeite o que traz dentro de si e seu jeito único de se expressar.


Os erros mais comuns

– Não valorizar a participação do público dentro da história;

– Dar mais espaço para recursos visuais e de entretenimento do que para a narração;

–  Adotar um estilo caricato. Lembre-se que o narrador não é um personagem; ele é o condutor que passa por todas as situações, paisagens e personagens da trama.

 

Por onde começar? Como é um curso de contador de histórias.

 

Contador de histórias: curso apresenta técnicas para iniciantes e profissionais
Contador de histórias: um curso apresenta técnicas para iniciantes e profissionais

 

Além dessas características essenciais que ajudam o contador de histórias, um curso oferece algumas técnicas e conhecimentos que também são primordiais para se dar bem na carreira.

Técnicas que servem tanto para quem deseja começar a trabalhar área, como para quem já atua, mas precisa se aprimorar.

Em geral, os cursos de contadores apresentam:

  • Noções de como desenvolver e oferecer um projeto (para livrarias, escolas, empresas);
  • Impostação, modulação de voz e higiene vocal;
  • Diferença entre teatro e narração (o contador pode se apropriar de recursos teatrais, mas não assume voz ou figurino de nenhum personagem, nem apresenta cenários ou cenas prontas);
  • Diferença entre contar a história lendo no livro e sem essa leitura;
  • Desconstrução da função dos objetos (por exemplo, usar uma garrafa para simbolizar uma girafa é muito mais enriquecedor para instigar a imaginação do que a imagem de um bichinho de pelúcia, que já entrega a ideia pronta).

O curso também desfaz alguns mitos comuns de quem conhece pouco a área:

– Narração de histórias não está limitado ao público infantil. Há um universo imenso de possibilidades;

– Apesar de ainda não ser regulamentada, a narração de histórias é uma profissão sim e, não simples hobby como muitos acreditam;

– A narração é uma linguagem artística e, mesmo com toda a crença de que arte não dá dinheiro, acredite, é possível sobreviver com ela.

A seguir, conheça as oportunidades!

 

O mercado de trabalho para o contador de histórias

 

Teacher reading her pupils a story
Contador de histórias: um mercado que apresenta muitas possibilidades

 

Apesar de ser bem comum ver um contador profissional rodeado por crianças, saiba que a narração de histórias pode ser utilizada por áreas que vão muito além do lazer e do entretenimento infantil.

 Áreas e profissões que se beneficiam dessa formação:


Professores de diversas áreas do conhecimento

Desde química e física, passando por geografia e português, até atividades esportivas… Narrando histórias, os professores surpreendem os alunos com elementos que deixam os conteúdos bem mais atrativos.

Profissionais de saúde

A narração de histórias é utilizada principalmente no atendimento a pessoas doentes em hospitais e brinquedotecas. Um odontopediatra, por exemplo, pode usar histórias para distrair os pequenos pacientes.


– Gestores interessados em impactar suas equipes

A narração também chegou ao mundo corporativo. As empresas têm buscado a narração como substituição a palestras motivacionais, tanto para o dia a dia como em eventos –semanas de prevenção de acidentes e encontros corporativos, por exemplo.

Como a narrativa sugere em vez de impor, as histórias têm se tornado uma boa forma de conversar e envolver os funcionários.


– Ao falar sobre religiões

Além do trabalho voluntário realizado com crianças, algumas pessoas utilizam a narração de histórias para tratar os preceitos em diferentes religiões. Um jeito bem mais atrativo e envolvente se comparado aos ensinamentos tradicionais.


Idosos e cuidadores

Para cuidadores de idosos, a narração pode ser um ótimo instrumento para as pessoas ouvirem e contarem suas histórias de vida.


– Guias de turismo

Por que não contar histórias durante um roteiro de viagem? Aprendendo sobre modulação de voz, intensidade, pontuação e emoção de cada palavra, os guias podem se aperfeiçoar e encantar os clientes enquanto compartilham conhecimento sobre os pontos turísticos.


– Pessoas inibidas

Quem não consegue falar em público, quer perder a timidez ou precisa de mais confiança em si mesmo para gerenciar reuniões, por exemplo, encontra na narração de histórias as ferramentas para superar essa dificuldade.

O uso da voz e da linguagem corporal ajudam a lidar com o autojulgamento e com o medo da opinião do outro.

 

Onde encontrar oportunidades de atuação

O contador de histórias geralmente trabalha por projetos, de forma autônoma, como microempreendedor individual (MEI) – com raras exceções.

Por isso, é importante que ele tenha atitude empreendedora, faça sempre o melhor trabalho que puder (quem está na plateia um dia pode contratá-lo).

Procure também diferentes formas de divulgação: ter um bom site, manter um blog ou canal no YouTube e uma fanpage no Facebook são bons caminhos.

 

Conheça alguns locais em que o profissional pode atuar:

  • Escolas (algumas instituições particulares têm em seus quadros o cargo de contador de histórias);
  • Unidades do Sesc;
  • Festivais e encontros da área (bons lugares para fazer networking);
  • Projetos públicos em praças, bibliotecas e salas de leitura;
  • Livrarias (geralmente em parceria com editoras, com o objetivo de vender livros e divulgar um autor. O contador atua como uma espécie de demonstrador);
  • Casamentos e outras celebrações (o profissional é contratado para contar a história do casal durante a celebração – nesse caso, ele também produz o texto a ser narrado);
  • Empresas (narração para o meio corporativo, sensibilização de equipes, ações de leitura em ocasiões como o Dia do Livro, atividades com familiares de funcionários, etc.).

Uma dica para quem está começando: você pode criar um projeto de narração para livrarias que tenha como contrapartida a divulgação do seu trabalho nos meios impresso e digital da loja.

Se a proposta for adiante, a livraria terá um evento para estimular a venda de livros e você poderá reforçar seu currículo.


Contando histórias e fazendo o bem

Outro lindo trabalho realizado por contadores de histórias é a atuação social como voluntário em locais como hospitais, asilos, abrigos e igrejas.

Nessas situações, a narração de histórias é um instrumento poderoso de motivação e alegria para públicos em condições tão adversas.

Um trabalho gratificante que faz com que as pessoas se sintam realmente importantes e valorizadas.

Dicas básicas para uma narração de histórias envolvente!

 

Magic book with magic lights and letters
Contador de Histórias: o desafio de uma narração de histórias envolvente

Se você não tem pretensão de atuar profissionalmente como contador de histórias, mas tem vontade de explorar esse universo, fique de olho nessas dicas:

– Prefira as histórias mais curtas para começar.

– Escolha uma história com a qual se identifique de alguma forma, ou que tenha um propósito. Pense: para quem você quer contá-la?

– No momento da narração, crie uma atmosfera diferente – pode ser algo simples, como esticar um tapete, acender um abajur ou lanterna ou mudar algum outro detalhe.

– Observe como você sente as palavras conforme lê o texto. E fique à vontade para expressar essas sensações na forma como intensifica (ou não) cada uma delas.
Narrar e ouvir histórias é algo lúdico, belo e natural do ser humano, mas que demanda do profissional muita pesquisa, preparação, autoconhecimento e entrega.

Agora que você conhece um pouco mais desse universo, que tal contar uma história?

Era uma vez…

Conheça o curso de Contador de Histórias do Senac.

Colaboração:
Elaine Gomes, docente do Senac Aclimação.


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