Crase sem crise

crase

Ô assunto chato! Mas calma, não se desespere: nós podemos tirar suas dúvidas.

Para saber das coisas, é bom começar pelo princípio. Por isso, vamos lembrar: qual é mesmo o papel da crase?
Ela é como uma combinação de resultados. Quer dizer, a crase simboliza a soma da preposição a com o artigo definido feminino a. O produto final dessa equação é a contração à.

Explicando melhor
Jogue a situação para o masculino. Por exemplo, é normal a gente dizer “Vou ao campus”. Mas você vai estranhar se ouvir alguém falando “Vou a – o campus”, assim, separando a preposição a do artigo o.

Portanto, no masculino, a fórmula fica: a (preposição) + o (artigo definido) = ao (contração). É simples, não é?

Já no feminino, como as duas vogais são iguais, definiu-se que essa fusão seria simbolizada por um único “a” acompanhado de um acento grave: a (preposição) + a (artigo definido) = à (contração).

Contração?
Vixe, elas são velhas conhecidas. Por exemplo, nós falamos dela em vez de “de ela”, no em vez de “em o”, num em vez de “em um”, entre muitos outros casos. A crase é igual às outras contrações. A diferença é que seu formato causa estranheza.

Dicas práticas
A mais poderosa e quase infalível das dicas é essa do gênero. Ou seja, na dúvida, ponha o exemplo no masculino. Se couber a contração ao, use a crase.

·  Vou ao campus para uma reunião / Vou à unidade visitar o novo laboratório.
·  Entreguei os documentos ao secretário / Entreguei os documentos à secretária.
·  Fui ao supermercado / Fui à feira.

Sem crase
Em razão dessa lógica, não existe crase diante de palavra masculina:

·  Gosto de andar a pé.
·  Pago tudo a prazo.
·  Preencha a lápis.
·  Foi a passo lento.

Mas sempre há exceções. Por isso dissemos que a dica de gênero é “quase” infalível. É que pode haver crase antes de substantivo masculino se ela anteceder os pronomes demonstrativos aquele ou aqueles:

·  Preciso entregar o relatório àquele diretor.
·  Irei àquele simpósio sobre pedagogia.

Sem crase aqui também
Antes de verbo no infinitivo:

·  A professora pôs-se a falar durante horas.
·  A equipe já começou a desenvolver o projeto.

Quando a preposição está no singular e o substantivo no plural:
·  A oficina foi dirigida a crianças.
·  Não dê ouvidos a conversas alheias.

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