Técnico em Segurança do Trabalho: 5 pontos que comprovam a importância da profissão

Chega de dúvidas sobre seguir ou não essa carreira. Aqui, reunimos tudo o que você precisa saber sobre formação e atuação profissional. Aproveite!

 

técnico em segurança do trabalho
O Técnico em Segurança do Trabalho promove a integridade das pessoas

 

Ser Técnico em Segurança do Trabalho é bastante inspirador. O objetivo da sua função é promover a saúde e proteger a integridade das pessoas nos seus locais de trabalho.
Para isso acontecer, ele assume uma série de responsabilidades dentro da empresa.

É ele quem implanta e faz a gestão de procedimentos de segurança e saúde nos ambientes onde as pessoas trabalham.

Essas e muitas outras atribuições foram definidas por lei, em 1989. Foi mais um avanço, depois da regulamentação da profissão de Técnico em Segurança do Trabalho, em 1985.

Desde então, existe a obrigatoriedade de a maioria das empresas contratar técnico para compor o Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e de Medicina do Trabalho (SESMT), implantado por lei, em 1978.

Apesar de tantos esforços, ainda, é grande o desafio de reduzir acidentes e doenças ocupacionais no país.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2018, apresentam o Brasil em quarto lugar no ranking mundial em números de acidentes trabalho, com 623,8 mil notificações, atrás da China, Índia e Indonésia.

Dá para entender como é fundamental a presença do técnico em segurança nas empresas para ajudar a mudar esse cenário.

Por isso, prepare-se! Agora, você vai conhecer o real valor do Técnico em Segurança do Trabalho nas empresas e no mercado, para, finalmente, você tomar a sua decisão.

 

5 pontos que comprovam a importância do Técnico em Segurança do Trabalho

 

1- Contratação obrigatória do Técnico em Segurança do Trabalho

 

profissionais de segurança do trabalho
O Técnico em Segurança do Trabalho ganha importância nas empresas

Imagine, 1978!

Nesse ano, o Brasil foi eleito campeão mundial em número de acidentes de trabalho, mais de 1,5 milhão, segundo registros da OIT.

Diante desse panorama, o então Ministério do Trabalho criou no mesmo ano o SESMT por meio da NR 4 (Norma Regulamentadora).

Essa norma é uma das 37 NRs disponíveis que fazem parte da Portaria 3.214 de 1978, com a finalidade de promover saúde e segurança às pessoas nos seus ambientes de trabalho.

E quem faz valer essas normas?

A NR4 determina a obrigatoriedade do Técnico em Segurança do Trabalho nos vários segmentos econômicos dos setores público e privado: agricultura, indústria, fábrica, metalúrgica, construção, comércio, serviços, etc.

A obrigação e a quantidade de técnicos contratados pela empresa dependem do número de trabalhadores e da intensidade do risco que eles estão expostos – os graus vão de 1 a 4: muito baixo (1), baixo (2), médio (3) e alto (4).

Veja os exemplos em que a lei exige a contratação do técnico:

  • Graus de risco 1 (bancos) – a partir de 500 trabalhadores;
  • Grau de risco 2 (instituições de ensino) – a partir de 500 trabalhadores;
  • Grau de risco 3 (cultivo de cana de açúcar) – a partir de 100 trabalhadores;
  • Grau de risco 4 (metalúrgica de alumínio) – a partir de 50 trabalhadores.

2 – Ações que preservam a saúde e segurança no ambiente do trabalho

 

Prevenir risco às pessoas é função do Técnico em Segurança do Trabalho

Em todos os segmentos de atuação, a função do técnico é colocar em prática a legislação (as NRs) para prevenir os acidentes e as doenças ocupacionais, e, consequentemente, promover a saúde e segurança do trabalhador.

Muitas das normas são comuns a todos os segmentos de empresas. Indicam o controle dos principais riscos que o trabalhador pode estar sujeito no serviço:

  • Risco biológico – bactéria, vírus, fungos, parasitas;
  • Risco físico – ruído, temperaturas extremas, radiações, umidade;
  • Risco químico – poeira, vapores orgânicos, névoas;
  • Risco ergonômico – temperatura, imobiliário, esforço físico, postura;
  • Risco de acidente – corte, queda.

Dependendo da característica da atividade, a exposição a um dos riscos pode ser mais intensa.

Cabe ao Técnico em Segurança do Trabalho identificar, reconhecer, analisar, monitorar e antecipar-se aos riscos existentes no ambiente de trabalho e propor medidas corretivas e/ou preventivas quando aplicáveis, sempre comunicando os responsáveis pela empresa e os trabalhadores.

Na prática

A primeira ação em qualquer segmento onde o técnico for atuar é analisar as condições do ambiente:

  • Das áreas comuns como alojamentos, refeitórios, vestiários;
  • Dos riscos ambientais;
  • Das dificuldades encontradas pelos trabalhadores;
  • Dos números dos acidentes e suas causas;
  • Do uso de EPIs (equipamentos de proteção individual).

Por meio dos programas de segurança do trabalho, o técnico indica os riscos e as ações para corrigir, eliminar ou minimizar os problemas, para fortalecer a prevenção de acidentes e doenças do trabalho.

Entre as principais funções do Técnico em Segurança do Trabalho está a de conscientizar os trabalhadores, gerentes e até o presidente, por meio de orientações e treinamentos de segurança.

Em alguns casos, essa ação é diária nas empresas.

Dessa forma, esse profissional tem de conhecer a fundo a empresa e as NRs para fazer uma boa gestão. Todo o trabalho gira em torno das normas.

Resumindo: tem de mergulhar nas NRs!

 

3 – Muitas oportunidades de trabalho

 

Mercado oferece muitas oportunidades para o Técnico em Segurança do Trabalho

Há muito campo de trabalho para o Técnico em Segurança do Trabalho. Ele pode ser contratado por diversos segmentos econômicos:

  • Indústria – metalúrgica, siderúrgica, automobilística;
  • Indústria extrativa – carvão mineral, petróleo, minério;
  • Fábrica – bebidas, produtos têxteis, celulose;
  • Serviços de saúde – hospitais, clínicas, laboratórios;
  • Comércio – hipermercados, shoppings, lojas departamentos;
  • Agricultura, pecuária e pesca;
  • Consultorias especializadas.

 

Mas as oportunidades vão além de trabalhar com carteira assinada. Você pode abrir sua própria empresa, por exemplo.

Já pensou em montar sua consultoria para prestar serviços de segurança do trabalho para outras empresas? Confira o que elas fazem:

  • Auditoria interna;
  • Treinamentos de segurança (assuntos determinados pelas NRs);
  • Elaboração de documentos e programas de saúde e segurança do trabalho.

O técnico também pode atuar como representante em empresas que comercializam EPIs, equipamentos de emergência e de higiene ocupacional.

Nesse caso, o profissional precisa conhecer muito bem os equipamentos para desempenhar essas tarefas.

 

4 – Formação é tudo nessa profissão

 

O Técnico em Segurança do Trabalho é um profissional multidisciplinar, que precisa estar muito bem preparado e atualizado.

O curso técnico é bem intenso e precisa abordar todas as NRs, e as suas aplicações. Muita coisa, né?

E é mesmo! São 1.200 horas de aprendizagem, cerca de 1 ano e meio de formação.

Parte da teoria do curso é vivenciada em situações reais do mercado, quando estudantes passam a ter contato com empresas por meio de visitas técnicas.

Na prática, você visita uma empresa, faz toda a análise do ambiente de trabalho e depois propõe soluções de segurança como projeto de curso de acordo com a exigência das normas.

Exemplo:

No início do curso, você escolhe uma borracharia para desenvolver o projeto. Aí, identifica as irregularidades e propõe ações de melhorias, conforme o aprendizado das disciplinas. No final, apresenta o projeto concluído.

Para iniciar o técnico, você precisa estar, no mínimo, cursando o segundo ano do ensino médio, e ter pelo menos 16 anos.

A formação continua depois do curso técnico. #Fica a dica!

 

Técnico em Segurança do Trabalho pode se especializar e ampliar frentes de atuação

Atualização do conhecimento é essencial, já que o técnico acompanha as mudanças da legislação, conhece novos equipamentos lançados no mercado e ainda amplia o seu campo de atuação.

Assim, depois de concluir essa formação, é possível fazer uma especialização técnica para ampliar os conhecimentos específicos na área.


Conheça algumas especializações técnicas:

  • Higiene Ocupacional, 300 horas

Focada no reconhecimento, na análise, no monitoramento de agentes ambientais e na utilização de instrumentos para avaliar e qualificar os riscos nos ambientes de trabalho, e, assim, evitar doenças ocupacionais.

Por exemplo: há equipamentos que medem vibração, temperatura, iluminação, produto químico, radiações, etc. Sempre de acordo com as normas técnicas.

  • Construção Civil, 300 horas

O profissional tem maior contato sobre os riscos e equipamentos (EPIs) para atuar nas frentes de trabalho desse importante segmento.

O curso aborda, principalmente, a NR18, que é voltada totalmente para a indústria da construção civil.

Conhece a complexidade e as especificidades dos EPIs, como os vários tipos de luva para o trabalho de eletricidade; óculos ideais para o Sol, visão noturna, etc.

Além de atuar no canteiro de obra, também garante a segurança e as boas condições dos alojamentos onde residem alguns trabalhadores.

Você sabia, que até a espessura e densidade do colchão são determinadas pela norma NR18?

É o técnico que também dá treinamento aos trabalhadores da obra sobre temas, como, por exemplo, o de segurança em instalação de eletricidade regulamentado pela NR10.

 

  • Meio Ambiente, 300 horas

Essa especialização é importante para quem quer trabalhar em segmentos que precisam lidar com impacto ambiental, descarte adequado de resíduos, auxiliar na gestão dos procedimentos, processos, programas e laudos ambientais.

O aluno conhece as normas relacionadas ao meio ambiente, como a NR25, que regulamenta o destino do resíduo industrial.

 

5 – Perfil para atuar nessa profissão e remuneração

 

Gostar de trabalhar em equipe faz parte do perfil do Técnico em Segurança do Trabalho

Para exercer as funções previstas, o Técnico em Segurança do Trabalho precisa contar com algumas características e habilidades para se destacar na área.

  • Gostar de gente, saber lidar com pessoas, inclusive de outros níveis hierárquicos;
  • Ser disciplinado, organizado;
  • Ter interesse por tecnologia;
  • Estar atento para atualização constante de seus conhecimentos;
  • Ter disponibilidade de horário e viagens.

Remuneração salarial

O piso salarial varia de acordo com o sindicato de cada categoria, segmento, e estado do país.

Em São Paulo, por exemplo, o Sindicato dos Técnicos de Segurança de São Paulo (Sintesp) estabeleceu o piso salarial para 2019/2020 da seguinte forma. Dá uma conferida:

  • Indústria – cerca de 3,2 salários mínimos federais;
  • Construção Civil – cerca de 3,5 salários mínimos federais;
  • Comércio – cerca de 3,3 salários mínimos federais;
  • Engenharia consultiva – cerca de 3,5 salários mínimos federais;
  • Hospitais filantrópicos do estado – cerca de 3,2 salários mínimos federais;
  • Hospitais e clínicas particulares da capital – cerca de 3,4 salários mínimos federais.

 

O que você achou? Curtiu?

É uma profissão promissora, de muita responsabilidade, que depende muito do seu perfil. Se você gostar de se atualizar, estudar e aprender, vai chegar longe.

Além disso, depois da formação técnica, as chances de ingressar rápido no mercado são enormes.

Campo não falta. A empregabilidade do Técnico em Segurança do Trabalho tem respaldo legal.

Não tem jeito, a maioria das empresas são obrigadas a contratar o técnico para promover a saúde e a segurança dos trabalhadores, de acordo com as leis.

E o resultado que a profissão precisa atingir –  prevenir acidentes e doenças do trabalho –  é esperado pelo governo, pelos trabalhadores, pelas famílias, pelos empregadores. Enfim, por todo o país.

Agora, é com você!

 

Colaboração:

Anderson Chirmici, coordenador de desenvolvimento da área de Segurança e Saúde no Trabalho do Senac São Paulo

Douglas William Hakini Soares, Técnico em Segurança do Trabalho e docente do Senac São José do Rio Preto

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